segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
A febre WiMAX vem aí
Depois da revolução tecnológica do 3G, o WiMax briga para disputar mercado em serviços de banda larga. A tecnologia avança por países de todo o mundo, inclusive na América Latina, onde a conexão à internet em alta velocidade não chega a 15%. No Brasil, mais de 40% das cidades ainda registram carência de serviços de telefonia móvel, de banda larga e de TV a cabo. Embora as grandes empresas mundiais em soluções de banda larga WiMax se interessem pelo promissor mercado latino-americano, no Brasil as normas regulatórias de utilização das faixas de freqüência impedem que a nova tecnologia seja empregada em mobilidade, o que livra as operadoras de telefonia de um forte concorrente. O cerco da legislação brasileira de telecomunicações à expansão WiMax teve destaque no Congresso WiMax Fórum da América Latina, realizado no Rio de Janeiro. “A internet é um serviço público, como a eletricidade e a água. A rapidez com que as pessoas vão acessar a informação é o que vai diferenciar o potencial de desenvolvimento econômico de um país do outro”, argumentou Ron Resnick, presidente do Wimax Fórum. “No Brasil há tanta tecnologia de ponta como os aviões, o sistema de votação, a informatização da rede bancária, mas só se tem 10 milhões de usuários de banda larga num país de 180 milhões de habitantes.” O primeiro setor em que o WiMax planeja investir pesado é no mercado de banda larga. Estudo da consultoria Frost & Sullivan revela que a tecnologia tem o potencial de levar internet em alta velocidade a 2,8 milhões de brasileiros até 2010. Desse total, cerca de 45% estariam concentrados na Região Sudeste. O número equivale a 65% das conexões de internet rápida atualmente instaladas no país — 4,364 milhões, segundo dados de pesquisa divulgada pela IDC Brasil no meio deste ano. Os novos players com tecnologia WiMax embutida tendem a oferecer serviços que vão além ao acesso à internet, como a telefonia sobre IP. “É preciso entender que haverá mais lucro das operadoras se o consumidor tiver acesso. O WiMax complementa o 3G. É possível trabalhar juntos”, defende Resnick. Segundo ele, há mais de 480 aparelhos sendo construídos com essa tecnologia por 80 fabricantes. “Não é uma tecnologia apenas para celular, mas pode ser usada para o sucesso de vários empreendimentos”, explica. Banda larga mais popularNa Índia, as agências reguladoras reconheceram a importância de trabalhar de forma colaborativa, o que permitiu um avanço da disseminação da tecnologia. Atualmente, há no país 207 servidores móveis e 4 milhões de indianos com conexão móvel. No Brasil, o WiMax começa a ser utilizado em algumas capitais para levar banda larga aonde a infra-estrutura ADSL não chega, como em São Paulo. “Nós não conhecemos a demanda de banda larga no Brasil. Quando se tiverem preços mais competitivos, isso vai virar uma grande epidemia”, acredita Elizabete Trachez, diretora-executiva da Embratel. A empresa comprou licença para operar o WiMax na faixa 3,5GHz, de forma nomádica, ou seja, fixa. A tecnologia é testada em São Paulo e leva banda larga para pequenas e médias empresas. Pagam cerca de R$ 150 pela conexão. Segundo a executiva, em janeiro de 2009, 600 estações de WiMax vão garantir a oferta a 200 cidades, inclusive Brasília. Até 2012, a Embratel pretende oferecer o serviço a 60% das pequenas e médias brasileiras. A Brasil Telecom também faz testes com WiMax (padrão móvel) em Curitiba, Porto Alegre e São Paulo e tem licença para operar no Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte, Campinas e Juiz de Fora. “No momento, as normas brasileiras não permitem oferecer o serviço móvel, mas no início do próximo ano vamos oferecer serviços nomádicos de banda larga para complementar a ADSL e o 3G”, afirma Orlando Ruschel, diretor de tecnologia da Brasil Telecom. (RA) na mira dos investidoresEmpresas anunciam pretensão de investir na tecnologia Wimax na américa Latina, inclusive no Brasil, a partir de 2009. executivos pressionam para que o governo brasileiro libere faixa de freqüência para a modalidade móvelEm toda a América Latina, 39 operadoras já fazem testes ou operam com WiMax, segundo a Alvarion, uma das maiores fabricantes mundiais de soluções de banda larga com essa tecnologia. Os equipamentos WiMax vendidos para o mercado latino-americano — Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Equador, Salvador, Guatemala, México, Paraguai, Peru e Venezuela — já superam US$ 100 milhões. No Brasil, as estações rádio-base (ERBs) que propagam pelo ar o sinal WiMax serão produzidas pela Alvarion em Curitiba. Atualmente, a empresa produz equipamentos em Israel, Romênia, Indonésia, Taiwan e Filipinas. A Alcatel-Lucent, fabricante de equipamentos no padrão móvel do WiMax, também anunciou que poderá produzir em 2009 até 15 mil ERBs. A empresa já vendeu 8 mil estações rádio-base WiMax em todo o mundo, inclusive na República Dominicana e na Bolívia, e deve participar do leilão de 3,5GHz no Brasil para fornecer a tecnologia. A Yota, operadora de WiMax móvel que entrou em operação em setembro deste ano em Moscou e em São Petersburgo, anunciou no Congresso WiMax Fórum que pretende investir no Brasil. A empresa, que tem hoje 400 ERBs na Rússia, quer chegar a 100 mil assinantes até o fim de 2009. Na sua palestra, o diretor de desenvolvimento internacional da Yota, Egor Ivanov, disse que pretende adquirir operadoras locais ou prover serviços na América Latina. “Temos muito dinheiro no bolso”, disse. Reserva de freqüência A pressão do setor privado é para que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) permita a utilização da faixa de 2,5GHz para o WiMax. “Há dois anos e meio empurra-se essa questão com a barriga no Brasil. Não dá para entender por que não podemos comer o arroz com feijão, que já está pronto, para ficar esperando o caviar e o filé mignon, que só devem ficar prontos daqui a dois ou três anos”, criticou José Luiz Frauendorf, diretor executivo da Neotec no Brasil. O executivo refere-se à tecnologia LTE (Long Term Evolution) que seria o 4G, e para a qual estaria se reservando a faixa de 2,5GHz. Na prática, significa dizer que uma tecnologia pronta, com maior capacidade de tráfego de dados, não pode disputar atualmente o mercado móvel no Brasil. “O WiMax já está aqui entre nós e o LTE é para amanhã. Para que esperar para comprar uma tecnologia que já está disponível comercialmente? Não me parece lógico”, criticou Ron Resnick, presidente do WiMax Forum. Mas há o contraponto da polêmica. A reserva da faixa de 2,5GHz é uma estratégia do governo brasileiro para uma utilização eficiente do espectro de radiofreqüência no futuro. A atenção se volta agora para a consulta pública aberta pelo órgão regulador até 5 de janeiro. A expectativa é de que o leilão — previsto para março de 2009 — permita a portabilidade, ou seja, o uso de um laptop com tecnologia WiMax embutida. “O 3G e o Wimax não são iguais. São dois modelos de negócios diferentes. Para mim, o WiMax é a internet móvel. Seria uma espécie de primeira geração da quarta geração”, disse Magnus Johnsson, diretor do grupo de banda larga da Digicel. Capaz de levar sinais de internet em alta velocidade pelo ar e extinguir os cabos e fibras ótica, a tecnologia WiMax abre novas fronteiras para a web e a telefonia e até para a transmissão de sinais de TV. “O espectro 2,5GHz assume papel relevante na promoção de pluralidade de serviços para a população, inclusive elevado potencial para suprir a demanda por banda larga em regiões específicas”, diz Maurício Giusti, vice-presidente de Estratégia e Regulamentação da Telefônica. “A ADSL tem restrição para chegar a mais de 3km do centro de computação e o Wimax pode ajudar a fechar esse gap, inclusive na política de inclusão digital”, explicou. Foi assim em outros países em desenvolvimento. Na Índia, em pouco mais de três anos, o WiMax permitiu ampliar a banda larga de 4 milhões para 20 milhões de usuários. “Há oito anos, o Reino Unido iniciou a operação móvel e hoje o 3G é utilizado por 18% da população e em 17% do total de celulares. No Brasil, o estágio é inicial. A banda larga móvel está em menos de 1% da população, em 1% dos celulares”, compara Giusti. Desde setembro, a Telefônica, em parceria com a Motorola e a Intel, realiza testes da tecnologia em São Paulo para verificar a viabilidade técnica, a receptividade de mercado e a avaliação dos usuários. Um modem WiMax conectado à tomada elétrica da casa de 150 clientes recebe o sinal de uma das três estações rádio base (ERBs) montadas nas regiões de Pinheiros e dos Jardins e redistribui para o computador do usuário. Um novo estilo de vidaAtualmente, há 403 redes WiMax em 133 países e 100 equipamentos certificados para operar com a nova tecnologia. A previsão é de que em 2012 haja 133 milhões de usuários de WiMax e 430 aparelhos habilitados. Quatro fabricantes de notebooks já incluem receptores de WiMax em 2,5GHz em seus laptops (Asus, Acer, Lenovo e Welch). “Existe muito espaço para crescimento do WiMax em todo o mundo e essa nova tecnologia vai criar mudanças no estilo de vida, a começar pela internet móvel”, diz Randall Schwartz, consultor-chefe da WiMax. Esse novo estilo de vida já é vivenciado desde setembro em Baltimore, nos Estados Unidos. A XOHM, a unidade empresarial do serviço móvel 4G da empresa norte-americana Sprint, construiu lá a mais rápida rede de banda larga móvel nos EUA. É possível manter o laptop conectado à internet, com velocidade de download de até 5 megabits por segundo, dentro de um carro com velocidade de até 100km/h. Livre de cabos e dos hot spots locais, a nova tecnologia ainda permite outros avanços em mobilidade, como a circulação de ônibus pela cidade com laptops sem fio conectados à web para prestar serviços sociais; telefones sem fio de grande alcance que permitam conversar com qualquer lugar do mundo a poucos centavos por minuto. Outro serviço que a tecnologia vai permitir é o da tevê móvel, novos players portáteis sem fio que recebem o sinal digital em qualquer lugar. “Não estamos em guerra com o 3G. O cliente deve ser livre para escolher. O 3G é bom para quem viaja porque a cobertura é maior, mas o WiMax é melhor para quem fica na cidade porque terá mais velocidade”, explicou Teresa Kellett, diretora de desenvolvimento global da Sprint, a principal operadora de WiMax nos Estados Unidos. “Queremos que a tecnologia seja compreendida no mundo todo para que possamos trabalhar em parceria com as operadoras e oferecer mais serviços”, disse. Nos EUA, é possível ter acesso ilimitado à banda larga por US$ 45 por mês. A entrada do WiMax no Brasil deve tornar o mercado de banda larga mais competitivo, o que resultará em melhores preços para o usuário. Hoje, o acesso à banda larga custa, em média, de R$ 70 a R$ 80. “Existe uma grande demanda por acesso à internet em todo o mundo. As empresas que investirem vão se aproveitar dessa demanda”, acredita Greg Welch, diretor de mobilidade da Intel e da Organização Mundial WiMax nas Américas. “Apoiamos o WiMax como tecnologia para a 4G porque está disponível hoje e permite mais velocidade e outras possibilidades de negócios”, disse. É também a possibilidade de levar a conectividade ao país inteiro. Segundo ele, em até cinco anos o WiMax embutido em laptops será uma regra de mercado, como ocorre hoje com o WiFi. “Daqui a algum tempo você não vai querer saber se a conexão é via Wimax, 3G ou WiFi. Você vai querer o serviço e se estiver conectado vai estar feliz.”
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